A revolução da moda australiana - Frames

A revolução da moda australiana

A moda sempre foi um reflexo do comportamento social de diferentes povos ao redor do mundo. A inigualável forma de se expressar, de olhar o cotidiano e encarar a vida podem ser resumidas à um vestido floral em um passeio ao parque ou em um casaco vintage usado em uma reunião de trabalho.

A Austrália é um país relativamente novo e sua cultura mostra isso. O grande continente-ilha nunca possuiu uma forte influência sobre o vestuário, mas atualmente é uma referência para o mundo graças a sua originalidade e atitude. “Sydney é um exemplo de modernidade. As pessoas aqui são super descoladas, e têm um senso muito mais Rock´n Roll de se vestir”, defende o estilista brasileiro Fernando Frisoni, que há 9 anos criou no país a grife que possui o seu próprio nome. Com o passar dos anos a marca ganhou merecido destaque em eventos como a Australian Fashion Week e desde 2012 possui apreciadores por todo o Brasil.

Apesar de atualmente possuir características inovadoras, suas referências fashionistas a princípio partiam somente de peças lançadas pela indústria norte-americana, como Coco Chanel e Jean Patou. A história mudou na segunda metade do século 20 quando algumas personalidades manifestaram seus pensamentos através do seu jeito de vestir. Em 1970 duas estilistas, Linda Jackson e Jenny Kee, acreditaram em uma inspiração insana e com isso revolucionaram a moda de seu país. Ambas criaram o “Kitsch”, um estilo repleto de estampas coloridas e perfeitamente despojado.

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Na mesma época outro grupo se originou, os Sharpies. Marcados por cabelos compridos e diversas tatuagens, os adolescentes que viviam encostados em Chevettes criaram, quase involuntariamente, uma nova forma de se vestir que vive até hoje. Bandas como Jagwar Ma e Pond aderiram a famosa combinação de calças jeans cintura altas, camisetas coladas e sapatos de couro desgastados, que por sua vez mostravam a atitude de usar o que lhe agrada sem ao menos se importar com a opinião alheia.

O álbum “Lonerism” do Tame Impala é um exemplo vivo da força e autenticidade da arte australiana. Criado como um manifesto de liberdade criativa, as faixas reavivam o estilo psicodélico gerado nos anos 60, através de uma aliança com a satisfação pessoal e o descompromisso com a pressão comercial. O resultado? A promessa de uma nova geração pós-psicodelica com toques extremamente modernos.

Muitos brasileiros se encantam com os privilégios desse país. Sidnei Moraes se tornou um deles ao abrir mão da sua rotina e família aqui no Brasil, para viver na capital australiana. Há quase dois anos ele trabalha como recepcionista em um dos hotéis presentes no centro da cidade, e ao ser questionado sobre a sua impressão a respeito da moda presente nas ruas ele explica: “Hoje as pessoas se arrumam do jeito que querem. Os australianos possuem de fato uma mente aberta nesse quesito. O conforto da roupa é o que realmente importa”.

A terra do canguru se assemelha muito ao Brasil por conta do clima, e por este motivo as roupas dos dois países muitas vezes acabam se limitando ao famoso jeans e camiseta. O que realmente chama a atenção em relação a eles são as combinações que exalam atitude.

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“O brasileiro ainda é um pouco careta na maneira de se vestir. O jeito conservador é muito 8 ou 80. Ou você é o “mauricinho” ou o “skatista”. Não existe algo moderno e sofisticado nas criações. O ponto positivo é que as mudanças têm acontecido, porém a cultura da moda precisa crescer muito mais no país”, diz Frisoni sobre o cenário nacional.

A cultura australiana atualmente marca presença por todo o mundo. A ousadia dos anos 70 pode ser nomeada como o pano de fundo oficial para a criação de diferentes marcas. A HB, empresa mundial de óculos esportivos, ganhou o seu destaque inicial graças a ideia do surfista Terry Fitzgerald de oferecer ao público pranchas que revolucionariam o surf mundial. Inspirado pelo estilo psicodélico da década, ele incluiu em seus “shapes” designs repletos de cor e energia, que devido ao sucesso da época consolidaram a marca no mercado. Tempos depois a HB decidiu enfim incluir em sua linha uma nova gama de produtos: os óculos de sol. A mudança surpreendeu a todos ao provar que o estilo das lentes traduziam não só o espírito do surf, como também a identidade fashion do país.

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Influências hipster, boho, trend e vintage, também ganharam espaço em outras grifes australianas. “A mistura às vezes chega a ser insana! Cada bairro e subúrbio respira sua própria a arte, a refletindo nos estilos criados nas ruas. Em Surry Hills, por exemplo, a prefência pelo vintage reina. Porém é a combinação dessa tendência com as influências artísticas modernas que faz com que tudo seja incrível”, finaliza o estilista.

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