Onda sustentável: ela não é tão nova assim – Frames
LENDO

Onda sustentável: ela não é tão nova assim

Onda sustentável: ela não é tão nova assim

Se todos os países do mundo consumissem como os Estados Unidos teríamos que ter mais 3,5 planetas para que não ocorresse um colapso total. Ainda assim, o país é referência quando a gente fala em metas econômicas e políticas. Como não se tira planetas da cartola, as discussões em torno da forma como produzimos e consumimos começam a questionar cada vez mais como anda nossa relação com o meio ambiente e os hábitos capitalistas, já que se continuarmos nesse ritmo vamos aumentar a temperatura média em 7 ºC  nos próximos 34 anos. O que isso tudo quer dizer? A onda sustentável não é só filosoficamente bonitinha, ela é necessária para evitar um fim apocalíptico de cinema.

A ideia de sustentabilidade ganha corpo e expressividade nos anos 70, como um conceito opcional ao embate que existia entre duas correntes de pensamento, desenvolvimentistas e defensores do crescimento zero, enquanto uma seguia pela linha mais liberal e capitalista do consumo, a outra defendia o fim do crescimento econômico. A partir disso começou a ser desenhado o caminho do desenvolvimento sustentável, que nada mais é que a tentativa de continuar uma expansão enquanto as três esferas, econômica; ambiental e social coexistem e se prejudicam em níveis mínimos.

Mas fica a pergunta: isso foi possível, isso aconteceu? O ponto é que depois de 45 anos não temos a resposta, a crise ambiental existe e assusta. Apesar disso, o desenvolvimento sustentável tem conquistado espaço como filosofia de produção de empresas, sejam grandes ou pequenas. Isso é também um reflexo de como a questão atingiu os consumidores, que passam a fazer compras mais conscientes e criteriosas. Não é a toa que 69% das marcas brasileiras reconhecem que a inserção de sustentabilidade no planejamento estratégico é uma necessidade. Mas, na era do fast fashion, como fica a moda?

Sustentabilidade tá na moda, literalmente

Parece loucura, mas a moda sustentável existe desde o século 18, muito antes de pensarmos no conceito como ele existe hoje. Lá em 1760 os vestidos de seda feitos à mão eram transformados para ganhar novas utilidades depois que perdessem o uso. Algumas peças eram retingidas e remodeladas, virando roupas totalmente novas tanto em design quanto em cor e textura, e outras simplesmente ganhavam uma função realmente nova, que não para o vestuário.

moda sustentabilidade

da esquerda para direita: brocado de seda, 1760; seda reaproveitada 1840; tingimento para reaproveitamento do tecido 1865

galeria_Sustentabilidade tá na moda3

da esquerda para a direita: rayon, primeira fibra de tecido de baixo custo feita pelo homem; vestido de seda de Madeleine Vionnet, primeira estilista a oferecer férias pagas e pausa para o café aos trabalhadores; capa de celofane; vestido masculino de sobras de tecido do séc. 19

Não era só a ideia de reutilizar que já estava presente naquela época, mas também a de usar matérias primas ecológicas, o que acontecia até involuntariamente, pela facilidade de acesso à natureza e pela falta de tecnologias para produção de materiais sintéticos. Em 1840 a tendência era o brocado de seda, que era reutilizado e retingido mais de uma vez, alguns anos depois o rayon, primeira fibra de tecido de baixo custo, começou a entrar na produção, e foi seguido pela madeira, algodão e cânhamo.

Em 1941 surgia o selo “New York Creations”, uma certificação de produção local, que respeitava os trabalhadores e o meio ambiente. Um dos precursores desse movimento da moda consciente foi o estilista Martin Margiela, que transformava lenços de seda e meias de lã em casacos de design moderno e arrojado. A partir dai a ideia de sustentabilidade foi se desenvolvendo, e, nos anos 60, com o movimento hippie, tomou uma forma mais parecida com a que conhecemos hoje.

galeria_Sustentabilidade tá na moda1

primeira peça com selo NY Creations, 1941

galeria_Sustentabilidade tá na moda2

blusa Martin Margiela, “pai da reciclagem”

Ao contrário do que muitos pensam, entretanto, falar em universo eco é ir além do algodão ecológico ou da reutilização de água no tratamento de jeans, é repensar a cadeia inteira. Rever as matérias primas e o processo de produção é uma tendência de todos os setores que fabricam bens de consumo, mas com a sazonalidade da moda impõe um ritmo de produção e consumo que fazem o problema desse setor ser muito mais complexo.

Por Rafaela Putini

Fotos: Divulgação/ Reprodução

 

Assine nossa newsletter. Nela, você encontra tudo sobre óculos: moda, saúde, estilo de moda e estilo de vida. Fique de olhos bem abertos e não perca as últimas tendências no mundo óptico.

*Fique tranquilo, não enviaremos spam. Após clicar em “Inscrever” você receberá um e-mail para confirmar seu interesse (verifique também sua caixa spam).

Fotos: Divulgação/ Reprodução

 

Assine nossa newsletter. Nela, você encontra tudo sobre óculos: moda, saúde, estilo de moda e estilo de vida. Fique de olhos bem abertos e não perca as últimas tendências no mundo óptico.

*Fique tranquilo, não enviaremos spam. Após clicar em “Inscrever” você receberá um e-mail para confirmar seu interesse (verifique também sua caixa spam).



Comments

comments


POST RELACIONADOS

INSTAGRAM
DÊ MAIS UM LOOK EM FRAMES